ㅤSempre fui sentimental e nunca levei adiante relações em que não estivesse emocionalmente envolvida, e por mais que eu pareça ser durona, é apenas fachada. Só eu sei o quanto já sonhei em ser uma princesa resgatada da torre de um castelo.

O precipício era tão raso que eu bati a cabeça nas pedras do silêncio. E sabe? Eu nunca mais fui o mesmo. Uma pancada na cabeça e a memória criou pernas e saiu atrás de alguém com medo de altura ou o mínimo de dignidade. E o silêncio sou eu mesmo, enfermo incapaz de balbuciar qualquer coisa. Vejo luzes ao meu redor que perguntam de onde eu vim, da onde eu sou, mas eu sou apenas a inconsciência, a amnésia e um cheiro de álcool e noites mal dormidas que amaldiçoa um hospital vazio. Apenas depois do impacto eu consegui formar as metáforas perfeitas. O designer de ambientes deu a dica: espelhos fazem o espaço ser maior do que realmente é. Mas o teu espelho é do tamanho do espaço. Do universo. E a tua ninharia, o microscópio aperta as lentes pra poder ver. Você é mentira disfarçada de suor. Um estranho, um alienígena, uma partícula de poeira, parcialmente invisível, invadindo a minha alergia ao sofrimento dos outros. Minha tragédia maior foi esquecer o texto que estava na ponta da língua. O que eu já tinha ensaiado tantas e tantas vezes, quando eu ainda lembrava que o seu coração era faca de dois gumes. Mas esqueci o que não podia esquecer e amei o que eu não podia amar. Talvez ainda ame, mas eu não lembro mais de nada. A queda foi maior. E o motivo da queda? Um suicídio frustrado. Foi o nó da forca que desatou, mas manchou meu pescoço de roxo. Foi o seu espelho mais uma vez que alargou e adiou o meu ponto final. Talvez me jogando de vez naquilo que parecia infinito, eu morreria sem sentir a dor que o chão me aguardava. Mas o chão, pro meu azar, não estava dentro das tuas mentiras. E eu me estatelei antes que eu pudesse enxergar alguma parede, antes que eu pudesse me segurar. E foi bom. A sensação de voar por dois segundos. Ser livre. Dizer adeus e vá pro inferno. Foi bom, eu admito. Mas você é ainda pior do que o demônio, porque você também é o meu paraíso. Esquecer foi bom, enquanto esquecer não me fazia ser um suicida sem pretexto. O meu amor te encontrou da forma errada, jogando-se num abismo com fim. E envergonhadamente assumo que foi o meu amor que te transformou em algo ruim pra mim. Céu e inferno na mesma pessoa. Eu esqueci, enfim. Numa cama, quebrado e sozinho, de sorriso engessado e coração desesperado. As pessoas perguntam o meu nome e o meu nome é o eco do meu único grito de socorro. Eu esqueci de mim, mas infelizmente minhas amnésias ainda não são maiores do que o número de quedas que eu quero sofrer por você.

Cinzentos.   (via decepciona)
Amar vai além de palavras. O amor se baseia em atos, atitudes. É ficar em pé e deixar o outro sentar naquela única cadeira vazia. E mais que isso, é ficar ali perto. É olhar aqueles olhos castanhos que pede abrigo, e você doar o seu peito pra que ele faça morada, mesmo com aquele medo que ele entre e bagunce tudo. É querer ficar, mesmo quando te dão motivos para ir embora. É querer ouvir a voz, tocar as mãos, sentir o cheiro. É muito mais que aquelas três palavrinhas. É sorrir com os olhos, abraçar com o corpo, falar com o coração. Permanecer quando é hora de ir, gritar quando é hora de fazer silêncio. Amor é não ter vergonha, é sempre ter um espaço pro outro, é saber dividir. É ter ciúmes, vontades, exageros e lágrimas. Amar é ficar sem jeito quando te elogiam, é querer cuidar, é acreditar. Amor é o que fica, é o que dura, o que eterniza. Amor é um sentimento com tantos significados, que você não sabe como descrever, mas sabe que quer sentir.

Eternismo.
Às vezes, não há nenhum aviso. As coisas acontecem em segundos. Tudo muda. Você está vivo. Você está morto. E as coisas continuam. Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.

Charles Bukowski.  
De tempos em tempos dou uma pausa no drama excessivo e viro do avesso pra me tornar essa pessoa calminha, despreocupada e de bem com a vida. Só até me cansar e correr de volta pro olho do furacão. Sou meio inconstante, pode-se dizer assim. Uma hora quero calmaria e na outra quero tempestade. Pra falar a verdade, nem sei o que eu quero. Vivo pra descobrir isso.

Iolanda Valentim.  
Eu quero a sorte de um amor tranquilo. Com sabor de fruta mordida. Nós na batida, no embalo da rede. Matando a sede na saliva.
Ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida. E algum trocado pra dar garantia.
E ser artista no nosso convívio, pelo inferno e céu de todo dia. Pra poesia que a gente não vive, transformar o tédio em melodia.
Ser teu pão, ser tua comida. Todo amor que houver nessa vida. E algum veneno antimonotonia.
E se eu achar a tua fonte escondida. Te alcanço em cheio, o mel e a ferida. E o corpo inteiro como um furacão. Boca, nuca, mão e a tua mente não.
Ser teu pão, ser tua comida. Todo amor que houver nessa vida.
E algum remédio que me dê alegria

Cazuza 
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Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que tinha quando era garoto. Outra coisa: acabo de procurar no dicionário, pela primeira vez, o significado da palavra “gude”. Quando era garoto nunca pensei nisso, eu sabia o que era gude. Gude era gude. Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números. Ainda no terreno dos sons: tinha uma folha que a gente dobrava e, se ela rachasse de um certo jeito, dava um razoável “pistom” em miniatura. Nunca mais encontrei a tal folha. E espremendo-se a mão entre o braço e o corpo, claro, tinha-se o chamado trombone axilar, que muito perturbava os mais velhos. Não consigo mais tirar o mesmo som. É verdade que não tenho tentado com muito empenho, ainda mais com o país na situação em que está. Lembro o orgulho com que consegui, pela primeira vez, cuspir corretamente pelo espaço adequado entre os dentes de cima e a ponta da língua de modo que o cuspe ganhasse distância e pudesse ser mirado. Com prática, conseguia-se controlar a trajetória elíptica da cusparada com uma mínima margem de erro. Era puro instinto. Hoje o mesmo feito requereria complicados cálculos de balística, e eu provavelmente só acertaria a frente da minha camisa. Outra habilidade perdida. Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É vivendo e desaprendendo. Não falo daquelas coisas que deixamos de fazer porque não temos mais as condições físicas e a coragem de antigamente, como subir em bonde andando – mesmo porque não há mais bondes andando. Falo da sabedoria desperdiçada, das artes que nos abandonaram. Algumas até úteis. Quem nunca desejou ainda ter o cuspe certeiro de garoto para acertar em algum alvo contemporâneo, bem no olho, e depois sair correndo? Eu já.

Luís Fernando Veríssimo  
Você me tratou mal, você fez com que eu não soubesse mais quem eu sou, que ódio, você fez com que eu me afogasse. Você me deixou de lado, fez com que eu me sentisse esquecível. Você mentiu pra mim. E me usou pra ver se esquecia outra pessoa. Você me magoou demais, seu otário. Você foi frio, seco, áspero, você fez com que eu baixasse da internet músicas de Sandy e Júnior. Tem noção do que é isso? Sabe o que dá mais raiva? Sei que você está bem. E sorrindo. E vivendo a porra da sua vida numa boa, sem pensar em mim. Claro, sou esquecível, não é mesmo? Você sequer pensou em mim, no que eu sentia, em como eu me sentia. Ai, que raiva de você! Meu coração está doendo. E eu chorei tantas vezes, muitas vezes, um quadrilhão de vezes e você nunca, em nenhum momento esteve aqui pra secar as minhas lágrimas e juntar os meus pedaços do chão. Você nem me trouxe um ouro branco. Você nem me deu um beijo. Você me empurrou da escada. Me deu um pontapé e nem virou pra perguntar se doeu. Você é mau. Você me trouxe um gosto estranho, aquele sabor que eu queria nunca mais lembrar: rejeição. E você não foi leal. E nem meu amigo. Eu cheguei a pensar que fôssemos amigos. Eu achei que a gente até podia ser um casal. E até usar aqueles colares bregas com as iniciais do nome do outro. Sei, eu estava doente. É, doente de amor mesmo, tô sabendo. E agora não tem ninguém do meu lado, nem você e nem ninguém. E nenhuma lembrança, nem rastro, nem nada de você. Que raiva de mim. E que saudade é essa de você? Você não sabe amar. Você não sabe o que é amor e respeito. Você não é normal. Você gosta de quem te maltrata. Amor não é jogo, não é labirinto, não é loucura, não é isso que ela diz que sente por você. Você está atormentando os meus pensamentos. Que raiva de você. E que saudade é essa de mim? Você não vale nada, é um otário que não presta e é um babaca ridículo que me deixou escapar. O problema é que você não me deixou escapar, você quis que eu escapasse naquele dia, aliás, naquela noite em que você disse que estava saindo da minha vida pra sempre. E você nem voltou. Você nem ligou. Nem mandou mensagem. Nem e-mail. Nem scrap. Nem mesmo um “sinto saudade”. Você saiu, bateu a porta e nunca mais abriu, nem espiou pela frestinha. Isso prova que eu sou mesmo mais uma na sua vida. E você disse que não queria me perder. E fez tudo errado, agiu como se quisesse. Eu te procurei e você fingiu que nem viu. Eu odeio você. Odeio. Mas penso em você quando toca aquela música, quando penso naquele filme, quando tô alegre, triste, feliz, deprimida, chorando, rindo. Penso nas coisas que eu queria contar e dividir com você. Penso em como as coisas eram e como podiam, um dia, ser. E eu sei que antes de dormir vou pensar em você e amanhã vou acordar com você no pensamento. Posso até sonhar com você. E vou tomar café com você na cabeça, caralho, você não podia ter ido embora assim. Seu filho da puta! Tô chorando, tá satisfeito? Está doendo, sabia?

Clarissa Corrêa.    (via segredou)
Eu acredito nas casualidades, nos encontros, nas passagens. Nas conversas que temos, nas músicas que cantamos. No que somos e nunca deixamos de ser. Eu acredito que podemos ser muito fortes, muito mais. Podemos ser como todos, e o tudo pode ser capaz. Eu quero suas mãos, suas ideias e defeitos, que me ensine o seu jeito, enquanto aprende o meu. Quero que faça sentido, que seja proibido, mas que entre nós todos não exista lei. Quero ser tudo que tem graça, que tem gosto e da pra sentir. Quero o que mais me da vontade, e quero vontade pra prosseguir. Quero voar, mergulhar, morrer e matar a vontade de querer.

Esteban Tavares.
Estou bem, só que não tenho apetite. Meus nervos costumam me dominar, especialmente aos domingos; é quando me sinto péssima. A atmosfera é sufocante e pesada como chumbo. Lá fora não se ouve um pássaro, e um silêncio mortal e opressivo paira sobre a casa e se gruda em mim, como se fosse me arrastar para as regiões mais profundas dos abismos subterrâneos. Em tempos assim, papai, mamãe e Margot não têm a menor importância para mim. Ando de cômodo em cômodo, subo e desço escadas e me sinto um pássaro de asas cortadas, que fica se atirando contra as barras da gaiola. “Me deixem sair para onde existem ar puro e risos!”, grita uma voz dentro de mim. Nem mesmo me incomodo mais em responder, só fico deitada no divã. O sono faz o silêncio e o medo terrível irem embora mais depressa, ajuda a passar o tempo, já que é impossível matá-lo.

O Diário de Anne Frank.   
Eu sempre sonhei que alguém se apaixonasse pelo meu sorriso torto, alguém que precise ouvir minha voz antes de pegar no sono. Alguém cuja a palma da mão, eu terei decorado cada detalhe e cravado a marca dos seus dedos entrelaçados. Um alguém fará você chorar e vice-versa, porém, terá um abraço que acolherá todos os erros. Alguém que talvez te odeie um dia e ame no outro. Alguém que sinta tua falta a cada segundo que passa. Alguém que realmente goste de você e faria tudo só para te ver feliz, dando a própria felicidade em troca da tua. Eu quero alguém que me fale que eu sou linda e não “gostosa” isso me ofende, claro que não vou ficar de cara feia se me chamarem de gostosa, mais eu gostaria de mas respeito comigo, não só comigo. Com as mulheres, elas são únicas com os seus defeitos, perfeitas do seu jeito estranho, mas são perfeitas. Mais, não vamos mudar de assunto. Já sorri de mil formas, era o que eu precisava: Amor. Era o que você tinha. E tudo sempre veio acompanhado dos meus pelos arrepiados, do meu coração batendo forte e da minha distração quando você falava muito. Foi assim que eu soube o quanto isso era forte. Aliás, o quanto isso é forte. Talvez você mude de país e de jeito. Talvez a minha loucura te afaste. Mais se for verdadeiro não importa a distancia, o que importa é que meu coração é teu e o teu é meu. Eu sei que posso dificultar as vezes de alguém se aproximar, mais é só medo de ser magoada novamente. Eu acho que já sofri o bastante até hoje e espero não sofrer mais. É impossível, eu sei. Mas pelo menos agora não, eu me sinto perdida dentro de mim. Eu não sei o que sentir e quando sentir, eu sou como uma bomba de sentimentos, eles vem na mesma horas e é angustiante. Confesso que fico olhando o religo para ver se as horas passam só para poder ver você passando pela minha rua, com ela. Não importa que esteja com ela, o que importa é que você está ali. Pra falar verdade, às vezes minto tentando ser metade do inteiro que eu sinto, pra dizer as vezes que às vezes não digo. Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo. Tanto faz não satisfaz o que preciso. Além do mais, quem busca nunca é indeciso. Eu busquei quem sou, você mostrou que eu não sou sozinha nesse mundo. Cuida de mim enquanto não esqueço de você. Cuida de mim enquanto finjo que estou bem comigo mesma. Só fica aqui, me fazendo cafuné. Em quando eu entro em prantos por ter te deixado partir meu coração. Eu só estou fazendo isso, porque eu ainda não quero dizer adeus. Você foi muito importante e ainda continuara sendo muito importante na minha vida. Mas não vá ainda, espere mais um pouco. Deixe eu me acostumar com a ideia de acordar e não te ver do meu lado, sair de noite e só voltar no dia seguinte e você me esperando sentado no portão com aquele olhar triste, só me deixe as boas lembranças. Leve as ruins com você, mais espere um pouco. Ainda quero você na minha vida, por mas que tenha me machucado, não vá. Mas, eu não consigo. Não consigo ficar brava contigo, não consigo virar as costas para você e partir. É doloroso demais. Fica só mais um pouquinho, por mim? Fica vai, não custa nada.

Autor Desconhecido. 
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